sábado, 25 de dezembro de 2010

SUMMER WARS




As vezes esperar alguma coisa torna essa coisa melhor quando é atingida/obtida. Um show, uma data, um acontecimento, uma pessoa, várias coisas. Aumenta a satisfação da coisa toda.
Mas é preciso saber quando esperar uma coisa é inútil, a diferença de esperar algo que vai se concretizar e esperar Godot (vão ler Samuel Beckett ou pelo menos procurem na Wikipedia, catzo).

Quando esperar se torna inútil, quando você sabe que nunca vai acontecer/chegar , principalmente se depende de outras pessoas, você toma as rédeas.

Toda essa conversa foi só para dizer que eu não iria ficar esperando o lançamento de Summer Wars aqui no Brasil. Não irá acontecer. Por isso fui atrás por conta própria. E não me arrependo.

O anime Summer Wars é um trabalho do estúdio MadHouse. Uma palavra antes de tudo. O MadHouse é, na minha opinião um dos grandes da animação japonesa. Nem todas as obras vindas dali são maravilhosas (Beyblade me vêm à cabeça, mas eles só animam, não escreveram o roteiro, e a animação é boa de qualquer forma), mas eles tem no seu currículo, Highschool of the Dead, Metrópolis, Card Captor Sakura, Gunslinger Girl, Black Lagoon, entre outros. Só coisa fina. Então qualquer coisa lançada pelo estúdio vale no mínimo uma olhada.

Mas voltando, o anime ganhou vários prêmios e indicações mundo à fora, tem um time de medalhões na produção e coisa e tal. Indicado ao Oscar que vai acontecer em 2011, inclusive. Mas vamos ao que interessa.

O estudante Kenji Koiso trabalha como moderador no mundo virtual chamado OZ. É dificil quantificar o alcance da OZ. Fora os usuários comuns, que usam para jogos, comunicação e coisas do tipo, corporações, governos, quase tudo usa a OZ, é quase como se ela substituísse a internet. E quando falo quase tudo, é isso mesmo, até serviços básicos como redes de eletricidade e água e até redes de defesa de vários países.

As coisas começam a mudar quando Kenji é convidado pela sua senpai (veterana, no caso colega mais velha da escola) Natsuki Shinohara, para um trabalho durante o verão. Como ele tem uma queda por ela, aceita sem fazer muitas perguntas. A coisa toda inclui levar ele até a imensa casa ancestral de sua familia e apresenta-lo a todos, em particular para sua bisavó, Sakae Jinnouchi, que vai completar 90 anos.

Kenji descobre a estranha natureza de seu trabalho e tem aquela estranha sensação que todos temos quando vamos à uma festa onde só conhecemos uma pessoa. Ah vamos, todos já sentiram isso uma vez ou outra. É bem chatinho.

O fato é que, durante a noite, ele recebe um email com um tipo de jogo matemático, um código enorme para ser desvendado. Embora pareça só um merdão, Kenji é o representante japonês nas Olimpíadas Internacionais de Matemática. Ele vara a noite acordado e decifra o código. E envia de volta a mensagem. É óbvio que Kenji é um panaca que não sabe nada sobre vírus e span. Ele recebe uma mensagem vinda sabe-se lá da onde e responde. Ele parece ser o tipo de pessoa que clica naqueles banners que dizem que ele é o milésimo visitante do site e vai ganhar um prêmio.

Na manhã seguinte, o mundo vira de pernas para o ar. OZ foi invadida e está em caos. Kenji é acusado de fazer isso pois o responsável pela zona usa uma versão deturpada do avatar dele e sua conta em OZ.

O anime segue por aí, mostrando o caos tomando boa parte do mundo e as relações entre a antiga familia Shinohara, as tentativas de Kenji de se relacionar com seus interessantes membros e os problemas de ser o cara que, aparentemente, destruiu a internet.

Os personagens em Summer Wars são bem construídos e mesmo os secundários são cativantes. As crianças pequenas, por exemplo. Evitaram, graças a Deus, que elas se tornassem gênios mirins ou aquelas crianças chatas de desenho ou filme. Elas orbitam ao redor dos mais velhos, como fazem as crianças, entretidas em seus pequenos mundos, quase alheias ao que incomoda os adultos. Mas que rouba a cena é a velha sra. Jinnouchi, ou Vovó, como todos a chamam. Como a orgulhosa matriarca de uma antiga familia guerreira, ( eles lutaram contra o ferradissimo Tokugawa, fundador da última dinastia de shoguns) ela mantém a familia unida, tem a última palavra, tem contatos em toda parte, e aparentemente, ainda dá porrada. em suma, a velha detona.

Summer Wars é um anime extremamente bem feito, de um tipo raro. Isso porque qualquer pessoa pode ver e se divertir, é, usando um clichê, diversão para toda a familia. É uma obra que me lembrou, e acredito que não só eu, animações do estúdio Ghibli, aquele do Totoro, A Viagem de Chihiro e outros. E isso é uma senhora apresentação para qualquer estúdio.

Não precisam acreditar em mim quando falo tão bem desse anime. Mas é melhor que o façam. Titio CB sabe o que é melhor para vocês. Então assistam. Vão me agradecer.




No mas.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Adeus tenente Drebin.



Eu iria hoje continuar a história do fim da Guerra Biometal. Mas preferi falar de um fato que ocorreu essa semana.

Dia 28 de novembro faleceu, de pneumonia, o grande Leslie Nilsen. Ele estava internado desde o começo do mês no hospital. É um grande prédio branco com pacientes, mas isso não é importante agora.

Sujeitos da minha idade, a geração do final dos anos 70, começo dos 80 com certesa o conheceram em seus dois papéis mais famosos. O Médico em Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu e claro, o tenente Frank Drebin de Corra que a Policia Vem Aí.

Espero que tenha visto esses filmes. Do contrário toda sua vida não teve sentido até agora. Há menos que você tenha virado um vegetal.

Eu tinha acabado de ligar meu computador no trabalho e antes de começar a trabalhar mesmo, li sobre o acontecido em algum portal de nóticias, sei lá qual. Não foi meu melhor começo de segunda feira.

Não quero dizer que fiquei arrasado ou algo assim. Mas mes fez pensar sobre algumas coisas e como a vida pode, realmente ser engraçada.

Nilsen era um ator sério, participou de clássicos como O Planeta Proibido e O Destino do Poseidon. Fez papéis dramaticos na tv. E embora fosse um bom ator era, digamos, do segundo escalão.

E por ai foi. Até que os diretores Jim Abrahams, David e Jerry Zucker entraram em contato com ele e lhe disseram para fazer uma comédia. A principio ele não aceitou, sempre achando que era um ator sério. Mas os diretores o fizeram mudar de idéia, dizendo que não conseguiam parar de rir de seus filmes sérios. Isso revela um pouco da personalidade de Leslie Nielsen.

Pense comigo. Alguns sujeitos chegam e falam que toda a sua carreira foi mal direcionada e RIEM de suas tentativas de transmitir seriedade, credibilidade e outras emoções. E, ao invés de enfiar a porrada nesses sujeitos, Nielsen aceitou isso numa boa e embarcou no vôo 209 indo de Los Angeles para Chicago.

Foi quando sua carreira realmente começou. Depois disso veio a série Police Squad, a estréia do ten. Frank Drebin. Mas pelos mesmos motivos que tentei descobrir no post sobre ótimos desenhos cancelados, a série não durou muito. Dizem que acabou com apenas seis episodios porque, o então presidente da rede de tv ABC disse que, ao contrário dos programas de humor de então, era necessário que o espectador prestasse muita atenção nas piadas. Ou seja, como outros shows, o humor inteligente condenou o programa. Eu vi a série em VHS, muito tempo atrás. Era legendado e com alguma sorete, talvez alguem tenha colocado em algum lugar das internets. Procure, vale a pena. Senão veja no You Tube mesmo.

Mas Frank Drebin não sabia quando desistir, nem Leslie Nielsen ou o trio de diretores (conhecido na época com ZAZ, Zucker, Abraham e Zucker). E seis anos depois os cinemas seriam atingidos por The Naked Gun, ou Corra que a Policia Vem Aí. Ah, titulos nacionais.... tão imbecis normalmente, mas não consigo pensar em nada mais adequado.

Esse eu fui ver no cinema com meu pai. O que me chamou a atenção na frente do cinema foi o cartaz com aquele sujeito velho e com cara de zangado voando em uma bala gigante. E vi todos os filmes da franquia no cinema também. E muitas vezes depois, na TV, com a dublagem impagável. E em DVD, que fiz questão de comprar.

Com os anos fui acompanhando a carreira dele, conforme encontrava os filmes. Os antigos (Poseidon e o Planeta Proibido), o episodio que ele aparece em Creepshow, a Repossuida, Dracula, Morto Mas Feliz, Mr Magoo, Drácula, Morto Mas Feliz, entre outros.

Ocorreu uma coisa estranha com Nielsen após se tornar um ator de comédia. Ele passou a ser conhecido também como um sujeito maluco fora dos filmes. Não maluco Michael Jackson ou Mel Gibson, mas maluco legal.

Ele levava uma máquina que fazia barulho de peido para entrevistas coletivas, publicou uma autobiografia composta unicamente de mentiras, estrelou uma pequena série de videos educacionais de golfe, que absolutamente não ensina nada sobre o esporte. E por ai vai.

Ele foi indicado a vários prêmios, inclusive por Police Squad, foi feito cidadão honorario da West Virginia, e sendo canadense, ganhou a Ordem do Canadá. E meu Deus... em 2005, na sua provincia natal de Saskatchewan, ele foi apresentado para a VERDADEIRA Rainha Elizabeth II....

Com uma carreira de mais de cinquenta anos, Leslie Nielsen com certesa fez de tudo um pouco nesse ramo, até dublagem de desenhos. Sempre com talento e competencia. É fácil ver quando ele se esforsava para tentar salvar uma bomba, (cof cof, Surfistas Ninjas cof cof).

Mas Leslie Nielsen sempre estará no coração de todos principalmente como o tenente Frank Drebin.

E eu estou sério. E não me chame de Shirley.