Antes de mais nada vou falar uma coisa, e vou falar em voz alta (é, estou escrevendo, mas não acabe com a minha metáfora).
EU GOSTEI DOS CASTLEVANIAS 3D NO PS2.
Agora que já admiti isso e perdi amigos e respeito, vamos em frente. Outro dia faço uma defesa pelo menos razoável desses dois jogos. Talvez. Mas vamos lá.
Esse Castlevania, o primeiro dessa geração tem uma historia diferente. Não é uma cria da Konami e de seu padrinho Koji Igarashi. Foi produzido por uma softhouse européia, a Mercury Steam. O que? Já teve outro Castlevania nessa geração? Castlevania Judgment? Não. Não era Castlevania. Você só está com sono.
Enfim, no lugar do Igarashi, a Konami mandou outro sujeito para vigiar a Mercury Steam e talvez, guia-los pela escuridão. Um cara chamado Hideo Kojima. Já deve ter ouvido falar. Mas esse jogo também tinha uma importante missão. Provar que poderia haver um bom Castlevania em 3D. Terá conseguido?
Um mimimi que tenho visto com frequência é "É cópia de God of War, ou Devil May Cry, ou Bayonetta." Por causa da corrente? Besteira. Os Belmont tinham uma desde sempre. Era um upgrade do chicote láááá no NES. Poderiam ter feito a mesma coisa aqui, mas fizeram algo mais interessante até, e que, no contexto da historia, faz mais sentido até.
A jogabilidade então? É, não dá pra negar uma certa influencia. Mas falando sério, como seria possível evitar? Esses jogos, em particular GoW e DMC pavimentaram o caminho. Mas olhando bem, essa influencia nem é tão grande assim em Lords of Shadow. A quantidade de inimigos é menor aqui, e depois de algum tempo fica claro que esse não é um jogo de pancadaria. É um jogo de plataforma. Os inimigos em Lords of Shadow vem em grupos menores mas são mais difíceis do que o normal nesse tipo de jogo. Você vai realmente levar muita porrada, principalmente antes de aprender como usar com eficiência a magia e o bloqueio. Vai mesmo ser morto até pelos mais tosquinhos. Acontece.
Mas o Belmont daqui é um porradeiro de primeira. Combos, movimentos especiais, magias de ataque ou cura, as famosas armas secundárias da série, tem de tudo. Com pouca dificuldade se aprende novos movimentos. Se você quiser apenas apertar os botões de ataque, vá em frente. Mas só vai te levar até certo ponto no jogo. É preciso dominar alguns movimentos mais avançados conforme se avança no jogo. Se fizer isso, e fizer bem, sua vida vai ser muito facilitada.
Plataforma e puzzles. Essa é a tônica do jogo. Enquanto as plataformas são bem boladas e definitivamente, você não vai sentir falta de controlar a câmera, como em tantos outros jogos cujas câmeras condenam seus jogadores há morte no abismo. E os puzzles, ah sim. Fugindo do incrivelmente batido esquema "empurre as caixas" são variados e desafiantes. E vão ficando progressivamente mais difíceis conforme o jogo avança. Mas se você estiver de saco muito cheio e quiser trapacear, os espanhóis da Mercury Steam lhe ajudam. Ao invés de te obrigarem a procurar a resposta na internet, basta olhar os pergaminhos que estão nos corpos de cavaleiros mortos. Ou mesmo a resposta do puzzle. Tudo pela sua conveniência.
E os gráficos? Não sou um cara que julga um jogo por isso. Mas Lords of Shadow vende muito bem esse aspecto. Bastante impressionante. Texturas, animações tudo bastante competente. No audio, efeitos sonoros caprichados e uma trilha sonora excelente, épica, sombria, tensa. O único senão é a falta das músicas clássicas da franquia, Bloody Tears e Simon´s Theme. Mas preste atenção na caixa de música de Baba Yaga.
E vamos a historia. Em 1045 O mundo está em colapso, pois, de alguma forma foi separado do Paraíso. Gabriel Belmont, membro da Sociedade da Luz, e para lutar contra o terrível estado em que o mundo se encontra deve derrotar os Lords of Shadow. Mas hoje em dia não dá pra dizer apenas "Mate o monstro." e as coisas não são tão simples. A amada esposa de Gabriel, Marie foi morta e ele parte nessa cruzada principalmente por saber que os Lords of Shadow possuem a "Máscara de Deus', com a qual seria possível ressuscitar sua amada Marie. Encontrando muitos inimigos e aliados (destaque para o Professor Xavier em pessoa, Patrick Stewart) pelo caminho, Gabriel vai se aprofundando mais e mais na escuridão.
Devo admitir, em um certo momento, pensei saber o que ia acontecer no fim do jogo. E me enganei, boas historias fazem isso com você às vezes. E realmente me confundi em um momento ou outro, mas foi por ter os outros Castlevanias na cabeça. Ah sim, esse é outro ponto. Quem estiver familiarizado com a franquia, vai notar muitos nomes familiares, muitos mesmo, como Rinaldo Gandolfi, Veros Woods, Wygol e mesmo referencias a Legend of Zelda. Vai mesmo descobrir que o bolo não é uma mentira. E até o filho mais famoso do padrinho do jogo, mr. Kojima, deixa um recado.
Castlevania Lords of Shadow é, enfim, um excelente jogo. Um dos "sucessos surpresa" do ano e merecido. "Mas por que surpresa CB? Todos esperavam esse jogo." É verdade. Mas poucos esperavam que fosse tão bom. Quantos não tinham aquela impressão ruim, que seria um jogo ruim, Castlevania só é bom em 2D....
É bom estar errado às vezes, certo? Mas eu acreditei nesse jogo e então acertei.
No mas.
